FADINHO DE SACUDIR

Estou na margem do Douro
num pousio junto à Foz,
faz sol, mas está frio
e o vento afaga veloz.
As gaivotas esvoaçam
buscando acoite na terra
enquanto as nuvens perpassam
e a noite se descerra.
Um menino sorrateiro
fugiu aos olhos da mãe
e corre todo lampeiro
para os braços ninguém;
ri de prazer libertado
pró mundo que o rodeia
e eu triste, preocupado,
esvazio em maré feia.
Fecho os olhos e imagino
meus tempos de pequenito,
irrequieto e ladino,
almejando o infinito.
Dou por mim, face ao miúdo,
envelhecido a carpir
e de repente sacudo
minhas mágoas a sorrir.
28.3.2008 - Torre da Guia
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